Curricula, Gestão do Conhecimento e Pesquisa

As Incertezas e o Protagonista da Educação

Posted on: 12 de janeiro de 2007

A incumbência do profissional de educação em um cenário  pluralista, multicultural, intercultural e globalizado reforça a fragilidade  docente em relação ao panorama vivido pela escola. A mudança proposta também tão  falada Sociedade da Informação e do Conhecimento, muitas vezes, “solicita”  novas posturas do professor.

Em alguns momentos, a identidade do educador é tida como  aquela que “desempenha” um papel importante no desenvolvimento social, em  outros, está implícito, freqüentemente, um “posto” que  prevê subsidiar no combate ao desemprego,  trabalhar os direitos civis e políticos, educar com materiais fragmentados e  fazer uma revisão de valores morais. No entanto faz-se mister potencializar a  importância moral em comportamentos para que sejam corrigidos e orientados,  tendo a liberdade assegurada, bem como os direitos humanos e a igualdade entre  os homens.

A reprodução da cultura nacional pela escola, a medida em que  há a homogeneização cultural por meio dos mercados, requer uma formação mais  ampla e mais dogmática dos professores, orientações curriculares mais atentas à  natureza mutável da sociedade, relações mais fluidas e úteis entre as  autoridades públicas e as minorias, a fim de que haja o respeito à cultura do outro  e a autonomia cultural.

Leituras de relações de poder implícitos devem ser entendidos  em âmbito mais extenso para a liberdade individual e para o entendimento dos  efeitos em outras culturas, não reproduzindo os conceitos que uniformizam e  promovem a assimilação. O capital cultural que circula na escola pertence aos  grupos dominantes da sociedade e podem estar a serviço dos poderes políticos  para formar uma cultura homogênea e leal.

Seria ingênuo perceber a escola como “antídoto” contra a  tirania e uma melhor forma de trabalhar a participação na vida em comunidade,  pois os propósitos do poder político podem ser inversos à realização das ações,  dessa forma, podem ser marginalizadas as minorias no processo de construção  nacional excluindo cidadãos.

O sistema educacional, as instituições escolares, os corpos  docentes e os planos e métodos de ensino e de aprendizagem podem ter sido  concebidos em função do trabalho de nacionalização (Fernández Enguita, 2004, p.46),  tendo em vista que a cultura elitista é “dada” às massas em uma doutrinação  forçada em nome de uma legitimação da razão, da cultura e da história, por meio  de disciplinas que não contextualizam e estão eivadas de intenção.

No panorama educacional, o Estado-nação implusiona a escola  em benefício próprio, tem a instrumentalização a serviço de uma cultura e de  uma identidade nacional (Fernández Enguita, 2004, p.46) tratando a relação  entre indivíduo e poder político de forma a generalizar a cidadania.

 
   

Texto escrito em agosto de 2004.

 

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